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Mik Explore × Maah · Sacred Forest
A profecia da Águia e do Condor — uma pessoa indígena e um ocidental contemplando duas aves voando juntas, selva e cidade moderna se encontrando ao pôr do sol
Sacred Forest · Visão

Sacred Forest · Visão

O futuro
que buscamos.

Há décadas, a inovação tem-se concentrado no desenvolvimento de tecnologias melhores para resolver desafios globais cada vez mais complexos. No entanto, muitas das crises de hoje não são apenas tecnológicas. São também societais.

Mudança climática, perda de biodiversidade, fragmentação social crescente — todos esses desafios levantam uma pergunta mais ampla: como devem as sociedades humanas organizar-se para prosperar num mundo em mutação rápida?

Em todo o mundo, os Povos Indígenas continuam a proteger alguns dos ecossistemas mais biodiversos do planeta. Seu saber ambiental é amplamente reconhecido. Muito menos atenção foi dada a outra dimensão: os sistemas sociais que permitiram a essas comunidades permanecerem resilientes através das gerações, preservando os ecossistemas dos quais dependem.

Esses sistemas refletem-se na forma como as comunidades educam as crianças, exercem a liderança, tomam decisões coletivas, transmitem o saber e equilibram a responsabilidade individual com o bem comum.

Paralelamente, as comunidades indígenas enfrentam mudanças ambientais, econômicas e tecnológicas que se aceleram. Fortalecer seu futuro exige mais do que preservar tradições. Exige assegurar que as novas tecnologias possam fortalecer a governança indígena, a continuidade cultural e a resiliência territorial, permanecendo alinhadas com os valores indígenas.

A Sacred Forest cria as condições para esse diálogo.

Não para transferir o saber num único sentido, mas para permitir o aprendizado mútuo entre liderança indígena, ciência, tecnologia e empreendedorismo — a fim de construir um Indigenous Innovation Ecosystem onde sistemas humanos e sistemas tecnológicos evoluem juntos para responder aos desafios do século XXI.

1. A inovação esquecida

Os Povos Indígenas são reconhecidos por seu saber ambiental. Muito menos pela forma como suas sociedades se organizam.

Em muitas comunidades indígenas, governança, educação, liderança e transmissão do saber seguem princípios que diferem significativamente dos da maioria das sociedades modernas.

  • ·A liderança baseia-se frequentemente na confiança, na responsabilidade e no serviço, e não na autoridade formal.
  • ·As crianças aprendem pela participação, pela observação e pela responsabilidade progressiva.
  • ·O saber é compartilhado coletivamente e transmitido através das gerações.
  • ·As decisões privilegiam o equilíbrio de longo prazo sobre os resultados de curto prazo.
  • ·O sucesso individual está intimamente ligado ao bem-estar da comunidade e do território.

Tomadas separadamente, essas práticas podem aparecer como características culturais. Tomadas em conjunto, formam sistemas humanos coerentes que influenciam a forma como as comunidades cooperam, se adaptam, resolvem conflitos e gerem os recursos naturais.

6%

da população mundial

Povos Indígenas

80%

da biodiversidade remanescente do planeta

Nos territórios que eles gerem

Até que ponto esse resultado está ligado não apenas ao saber ecológico, mas também aos sistemas sociais que o sustentam?

Compreender o saber indígena exige também compreender os sistemas organizacionais através dos quais esse saber é criado, compartilhado e sustentado.

Explorar esses sistemas não é identificar um modelo como superior a outro. É ampliar o leque de abordagens humanas disponíveis para responder aos desafios ambientais e societais de hoje.

2. Princípios

O que define nossa forma de trabalhar.

Esses princípios definem não apenas nossa forma de trabalhar, mas também a maneira como as parcerias são construídas.

Princípio 01

Liderança indígena

Indigenous Leadership

As comunidades definem as prioridades. As comunidades tomam as decisões. A Sacred Forest facilita a colaboração, mas a liderança indígena permanece no centro de cada iniciativa.

Princípio 02

Co-criação

Co-Creation

Os programas são concebidos com as comunidades indígenas, não para elas. Cada iniciativa é desenvolvida através do diálogo, da propriedade compartilhada e de relações de longo prazo.

Princípio 03

Aprendizado mútuo

Mutual Learning

O saber circula nos dois sentidos. A pesquisa científica, o empreendedorismo e a tecnologia trazem novas perspectivas. Os sistemas organizacionais, a governança e os saberes indígenas trazem outras. Ambos são necessários.

Princípio 04

Integridade cultural

Cultural Integrity

A tecnologia deve fortalecer as prioridades, línguas, governança e continuidade cultural indígenas. A inovação deve adaptar-se às comunidades — não o contrário.

Princípio 05

Compromisso de longo prazo

Long-Term Commitment

A Sacred Forest concentra-se na construção de capacidades de longo prazo, em vez de projetos de curto prazo. Nosso objetivo: criar sistemas que continuem a evoluir para além dos programas ou parcerias individuais.

3. Por que o Acre?

Alguns lugares preservam uma biodiversidade excepcional. Outros, uma diversidade cultural excepcional. Poucos preservam ambas.

Localizado na Amazônia brasileira ocidental, o Acre é uma das regiões de floresta tropical mais preservadas do mundo. É também uma das maiores concentrações de Povos Indígenas no Brasil, cada um com sua própria língua, governança, sistemas de saberes e identidade cultural.

Para a Sacred Forest, o Acre não é simplesmente um local de projeto. É um ambiente ideal para explorar como diferentes sistemas organizacionais indígenas evoluíram em estreita relação com seus territórios — e como esses sistemas podem dialogar com a ciência, a tecnologia e a colaboração internacional.

O atual programa de incubação será desenvolvido no território Yawanawa, reunindo representantes de todas as aldeias Yawanawa, juntamente com representantes convidados dos povos Noke Koi e de outros Povos Indígenas.

Multicomunitário desde a origem

Desde a origem, a Sacred Forest foi concebida como uma iniciativa multicomunitária.

Seu objetivo não é promover um modelo, mas criar um espaço onde líderes indígenas, pesquisadores, empreendedores e parceiros possam aprender com experiências diferentes e desenvolver novas formas de colaboração.

O Acre oferece as condições ideais para construir essa convergência.

4. Indigenous Innovation Incubation Programme

Seis eixos de aprendizado e colaboração.

O programa de incubação da Sacred Forest reúne representantes indígenas, pesquisadores e especialistas em desenvolvimento de capacidades, para fortalecer capacidades e co-desenvolver soluções práticas.

O programa estrutura-se em torno de seis eixos de aprendizado, diálogo, intercâmbio entre pares e desenvolvimento de projetos. Cada eixo combina sistemas organizacionais indígenas, inovação tecnológica e experiência de campo.

Abordagem Indigenous-first: quando o conhecimento já existe nas comunidades indígenas, o aprendizado é conduzido pelos praticantes e líderes indígenas. Pesquisadores e especialistas externos contribuem onde saberes técnicos complementares podem fortalecer o programa.

Forest & Territorial Stewardship

Guarda da floresta e do território

Fortalecer a governança indígena, a gestão territorial, o monitoramento ambiental e a resiliência climática.

Digital Sovereignty

Soberania digital

Desenvolver a infraestrutura digital, a conectividade, a inteligência artificial e a governança de dados que fortalecem a autonomia indígena.

Living Knowledge

Saberes vivos

Preservar as línguas indígenas, as tradições orais, o patrimônio cultural e a transmissão intergeracional dos saberes.

Regenerative Bioeconomy

Bioeconomia regenerativa

Desenvolver iniciativas econômicas lideradas pelas comunidades, que geram meios de subsistência sustentáveis e protegem as florestas.

Leadership & Governance

Liderança e governança

Fortalecer a liderança, o desenvolvimento organizacional, o FPIC, a gestão de projetos, as parcerias estratégicas e a mobilização de recursos.

Storytelling & Global Influence

Narrativa e influência global

Desenvolver a produção documental, a comunicação estratégica, a oratória pública e a diplomacia cultural para amplificar as vozes indígenas e inspirar audiências mundiais.

Essa abordagem favorece o intercâmbio intergeracional e interétnico, incentiva a colaboração entre Povos Indígenas que enfrentam desafios semelhantes e ajuda a reduzir as lacunas de capacidades reconhecendo e mobilizando o conhecimento indígena existente antes de buscar apoio externo.

Sacred Forest · Visão

Um Indigenous Innovation Ecosystem onde os sistemas evoluem juntos.

Para responder aos desafios do século XXI, e ampliar o leque de abordagens humanas disponíveis.